Curso de Teoria de Música, Parte 2.1.


Capítulo I - Sinais de repetição
Capítulo II - Sí­ncope e contratempo
Capítulo III - Quiálteras
Capítulo IV - Intervalos
Apêndice - Ciclo das quintas


Capítulo I – Sinais de repetição

1.     “Da capo” (do princípio)
Indica que se deve voltar ao início do trecho ou ao lugar em que se inicia, D.C.


O da capo só é usado para repetir um trecho mais ou menos longo. Também se usa o Da capo com as seguintes variantes:


2.     Expressões: 1ª e 2ª vez
Quando dois trechos são iguais, com variações apenas no final, usa-se as expressões 1ª e 2ª vez sobre os compassos que diferenciam os dois trechos.
 
A execuçao é compasso 1, compasso 2, compasso 1, compasso 3.

Capítulo II – Síncope e contratempo
1.     Síncope
Se uma nota executada em tempo fraco ou parte fraca de tempo for prolongada ao tempo forte ou parte forte de tempo seguinte temos o que se chama síncope.
A síncope produz efeito de deslocamento das acentuações naturais
A síncope pode ser regular ou irregular
- Regular: quando as notas que a formam têm a mesma duração




São muito comuns as síncopes regulares de quarto de tempo.
- Irregular: quando as notas que a compõem não têm a mesma duração



2.     Contratempo
Dá-se o nome de contratempo às notas executadas em tempo fraco ou parte fraca de tempo, ficando os tempos fortes ou partes fortes dos tempos preenchidos por pausas

O contratempo também provoca efeito de deslocamento da acentuação natural, porquanto o tempo sobre o qual deveria recair a acentuação é preenchido por silêncio.
Capítulo III – Quiálteras
1.     Generalidades
Quando as unidades de tempo e de compasso são subdivididas em grupos de notas que aparecem em maior ou menor quantidade do que normalmente deveriam em relação ao compasso, dá-se origem a um grupo de nome quiáltera. A quiáltera com três notas chama-se também de sequiáltera ou tercina.
Sobre esse grupo de valores alterados coloca-se o número correspondente à quantidade de valores utilizados, podendo ser acompanhado de uma chave, que abrange todo o grupo, ou de uma pequena ligadura, abrangendo o próprio número.
As quiálteras podem ser também constituídas por figuras de diferentes valores, ou ainda por valores de som e pausas entremeadas.(Exemplo: Hinário luterano 298)
Há duas espécies de quiálteras: aumentativas e diminutivas.

2.     Quiálteras aumentativas
São aquelas que alteram para mais a quantidade de notas previamente estabelecidas
As quiálteras aumentativas podem ser divididas em dois grupos: regulares e irregulares
São regulares as que contêm no grupo o número normal de figuras mais a metade. Será sempre um grupo de número par, com exceção do grupo de 3 quiálteras.
                  
São irregulares os grupos de número ímpar (exceto o de 3) e os de número par que não atendem às regras do grupo das quiálteras regulares.
Usam-se quiálteras aumentativas, normalmente, quando a figura que serve de unidade para preencher o número de quiálteras é uma figura simples (não pontuada). A quiáltera mais usada é a tresquiáltera, formada por três notas.
  
3.     Quiálteras diminutivas
São aquelas que alteram para menos a divisão normal.
As quiálteras diminutivas são usadas, normalmente, nas unidades ternárias (figuras pontuadas).
(São unidades ternárias: unidades de compasso dos compassos ternários simples; unidades de tempo dos compassos compostos; unidades de compasso dos compassos compostos. ¾, 6/4, 9/8, 3/2, 12/8 etc.)

Exercícios:1. Canta ou bate 8 colcheias seguidas por 12 colcheias tresquiálteras.
2. Bate com uma mão colcheias normais, com a outra trêsquialteras.(difícil!)
3. Estude “Momento novo” (...é hora de transformar)ou “O Homen quer seguir o seu próprio rumo” ou outras músicas com quiálteras.


Capítulo IV – Intervalos

Intervalo é a diferença de altura entre dois sons ou seja duas notas.
Exemplo: A diferença entre Dó e Ré é como um passo de uma primeira nota até a segunda. Por isso se chama o intervallo segunda. A diferença entre Mi e Lá é como da primeira até a quarta, contado a partir de Mi. O intervalo é uma quarta.

1.     Intervalos simples e compostos
                       Simples – quando contido numa 8ª
                       Composto – quando ultrapassa a 8ª



    
                
intervalos simples (2ª, 5ª,6ª)                                         intervalos compostos (9ª = 8ª+2ª, 11ª = 8ª+4ª)

 


2. Intervalos melódicos e harmônicos
                     Melódico – quando as notas são ouvidas sucessivamente
                     Harmônico – quando as notas são ouvidas simultaneamente

Os intervalos melódicos também podem ser classificados como ascendentes (primeira nota mais grave) ou descendentes (primeira nota mais aguda).

3. Classificação dos intervalos
De acordo com o número de tons e semitons que compõem o intervalo ele pode ser classificado como: maior, menor, justo, aumentado ou diminuto.
Maior, menor, aumentado, diminuto è Intervalos de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª
Justo, aumentado, diminuto è Intervalos de 4ª, 5ª e 8ª

4. Intervalos consonantes e dissonantes
Intervalos consonantes são aqueles que não pedem resolução sobre outro intervalo. São eles:
-         3ª e 6ª maiores e menores (consonantes variáveis ou imperfeitos, por poderem variar a classificação sem, contudo, deixar de ser consonante).
-         5ª e 8ª justas (consonantes invariáveis ou perfeitos, porque não podem variar a classificação e continuarem consonantes).

São dissonantes aqueles que pedem resolução sobre um intervalo consonante. Eles são:
-         2ª e 7ª maiores e menores
-         Todos os intervalos aumentados e diminutos,

A 4ª pode ser consonância ou dissonância, dependendo do contexto. Por isso certos autores a chamam consonância mista. Duas vozes, sem acompanhamento, que formam uma quarta, são, em geral, dissonantes. (Ver Delta-Larousse, Enciclopédia, pág.4797)


5. Inversão
Inverter um intervalo consiste em transportar sua nota mais grave uma 8ª acima ou sua nota mais aguda uma 8ª abaixo.
Somente intervalos simples podem ser invertidos, já que os intervalos compostos, ao serem invertidos, perdem sua característica de intervalos compostos e transformam-se em simples.
Na inversão dos intervalos observa-se o seguinte:
A passa a ser                                A 5a passa a ser 4a
A passa a ser                                A 6a passa a ser 3a
A passa a ser 5a                               A 7a passa a ser 2a
A 8a justa quando invertida deixa de formar intervalo; transforma-se apenas na repetição de um som.
As 8a aumentada e diminuta invertidas passam a formar intervalo de semitom cromático.
Observa-se ainda na inversão dos intervalos que:
Os maiores tornam-se menores
Os menores tornam-se maiores
Os aumentados tornam-se diminutos
Os diminutos tornam-se aumentados
Os justos conservam-se justos



6. Quadro dos intervalos


 

 

 

Modificações mais imediatas que podem sofrer os intervalos:
·        Os intervalos maiores de 2a, 3a e 6a podem tornar-se menores
·        Os intervalos maiores de 7a podem tornar-se menores ou diminutos


·        Os intervalos justos podem tornar-se aumentados ou diminutos

 

 
Para identificar ou cantar um determinado intervalo é bom fazer-se uma lista de e exemplos. A lista deve ser personalizada.
1 Meio-tom, 2ª menor, como o início de Pour Elise (Beethoven)
2 meio-tons, 2ª maior, como Noite feliz ou Cai, cai balão, HL 347 "Tao como estou"
3 meio-tons, 3ª menor, Senhor, meu Deus, Noite feliz, ou HL 14 ou o grito do cuco
4 meio-tons, 3ª maior, Santo, santo (HL146) ou 5ª Sinfonia de Beethoven
5 meio-tons, 4ª, Cantai alegremente  ou Hino Nacional
6 meio-tons, 4ª aumentada ou 5ª diminuta, rara e difícil para cantar. Conheço como exemplo só Maria, Maria  da Westsidestory (Musical)
7 meio-tons, 5ª, Louva ao Senhor, potentíssimo, ou HL 32
8 meio-tons, 6ª menor, Tema do Love-story, When Israel was in Egipland (Go down, Moses)
9 meio-tons, 6ª maior, Por tudo, que tens feito(Te agradeço), ou HL 308: Com tudo que somos e temos
10 meio-tons, 7ª menor como no acorde C7. Somewhere do musical West Side Story
11 meio-tons, 7ª maior como em C7M, oitava menos meio-tom
12 meio-tons, 8ª. Se homens e mulheres ou crianças cantam o mesmo hino, os homens cantam naturalmente uma oitava mais baixo (grave). A diferença entre voz de homem e de mulher seria uma oitava. Exemplo: Somewhere over the rainbow

(Duas notas iguais, distância de zero meio-tons,  se chamam também 1ª. A 1ª é justa, como a 8ª.
Se as duas notas são executadas juntas, por exemplo por soprano e contralto, se chama de uníssono. Tem também uníssono aumentado Re-Re#, que é como uma 2ª menor Re-Mib, e uníssono diminuto, Re-Reb.
Existem em casos extremos também intervalos superaumentadas como as 4ª superaum Fá-Si#, Dó-Fá", ou Réb-Sol#, e intervalos superdiminutos como a 4ª superdim Ré#-Solb.)

Exercícios: 1.O professor (ou o próprio aluno) toca uma nota e tenta cantar uma 4ª pra cima.
1.      O professor dá uma nota e o aluno canta uma 5ª pra cima (4ª pra baixo, 2ªM pra cima e pra baixo, depois 2ªm e depois terças.
2.      O professor toca quintas e quartas para o aluno identificar de ouvido.
3.      O professor toca segundas maiores e menores para o aluno identificar de ouvido.
4.      O professor toca terças maiores e menores para o aluno identificar de ouvido.
5.      Se tudo vai bem, o professor toca tudo misturado
6.      Incluam-se nos exercícios também sextas, sétimas, oitavas, nonas


7.      Determine os intervalos em hinos do hinário


8. Treina seu ouvido! Abaixa o programa Ear Training de graça e treine os intervalos e, se quiser, também outras coisas do programa.


A próxima parte (continuação de Nivel II) se encontra em: Curso de Teoria de Música 2.2.


Em baixo você já encontra ainda alguns ciclos (circulos) de quintas, que serão importante a partir do capítulo VI. O circulo mais simples mostra as tonalidades com o numero de acidentes. O colorido mostra também os nomes dos acidentes em cor amarela. As cifras azuis são os tons menores. Exemplo: Bm e D tem os acicentes Fá# e Dó#. O ciclo azul não é pra iniciante. Ele mostra  os nomes enharmônicos dos  tons.   Exemplo: Fá  é igual  a  E#,   só que o ton  E#   tem  11  acidentes,  complicadí­ssimo!

Aqui colocamos alguns ciclos (círculos) das quintas, que mostra, quantos acidentes tem uma respectiva tonalidade, e quais são os seus vizinhos.
Em uma música em C, como o hino Castelo forte, se usam os tons da escala em C. Os acordes podem ser escolhidos entre os seis vizinhos de C, que são G, F, Dm, Am, Em.
A música tem nenhum acidente (sutenido ou bemol) prescrito. Tem, porém, um pequeno trecho no meio, onde surge um Fá# na melodia. Nesse trecho temos então o tom G ou Em, que correspondem a um sustenido, e devemos usar os acordes vizinhos deles, como D ou Bm.
Talvez ainda não dê para entender bem, leia então os próximos capítulos VI até VIII, e X, e depois você entenderá melhor.




 



 

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